Insensatez
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Essa eu preciso lhe contar. Ontem vi a filha de um casal de vizinhos chorando na garagem e fui tentar ajudá-la. Pensei logo em um problema de saúde.
- Já posso imaginar. Estava chorando porque fora contrariada, não é mesmo?
- Quando perguntei se ela estava bem, respondeu-me que estava péssima porque sua amiga havia roubado o namorado dela. Eu a olhei surpreso.
- Entendi. A amiga sumiu com o dinheiro do namorado e ele ficou endividado.
- Foi o que achei, mas ela negou. Então, quis saber se a amiga havia sequestrado o namorado dela. Pelo olhar dela, deve ter me achado um idiota.
- Então, a amiga não tirou dinheiro do namorado nem o sequestrou, certo?
- São duas perguntas muito complexas para o raciocínio dela. Eu perguntei se o namorado a trocara pela amiga e ela insistia que a amiga o roubou dela.
- Portanto, o namorado estava com a amiga contra a vontade dele, certo?
- Foi o que perguntei a ela e fui novamente fulminado. Perguntei se o namorado estava com a amiga por vontade própria ou por que fora obrigado.
- Essa pergunta foi pesada para ela. Até agora, a amiga era a culpada, mas o culpado poderia ser o próprio namorado. Como ela lidaria com essa revelação?
- A vilã tinha de ser a amiga; o namorado era o mocinho. Quando sugeri de chamarmos a polícia para o namorado ser libertado das garras da amiga, ela...
- ... ela avançou no seu pescoço... Será que a paixão é tão emburrecedora?
- A situação piorou quando ela disse que o relacionamento entre eles não ia bem e que a amiga se aproveitou dessa fragilidade e roubou-lhe o namorado.
- Ela insistia que o namorado lhe fora roubado. Que cognição problemática!
- Você desistiu de convencê-la de que o namorado não fora roubado pela amiga, mas que ele decidiu iniciar ficar com a amiga?
- Desisti quando ela me disse que rezaria para a amiga não ser feliz com ele.