Obrigação
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Incomoda-me a questão da obrigatoriedade para votar. Quero ter o direito de votar, mas não quero ser obrigado a votar. O que você pensa sobre isso?
- Penso exatamente como você. Mas isso é o melhor que nosso congresso consegue fazer: tornar o voto obrigatório. É o caso do “sempre foi assim...”.
- Em alguns aspectos, estamos modernos, mas em tantos, estamos no limbo. As ordens vêm sempre prontas, de cima para baixo.
- Nos países em que a religião tem forte influência costuma ser assim. Repete-se a hierarquia. Os de lá de cima sabem o que é melhor para os cá de baixo.
- A técnica que predomina é tirar das pessoas a possibilidade de fazerem as suas escolhas e de serem responsáveis pelas escolhas que fizeram.
- Isso seria corrigido pela educação. Pela educação para valores e princípios. Pela educação que ensina efetivamente a pensar por si mesmo.
- Ou seja, com a nossa educação arcaica e falida, vamos continuar seguindo o que outros determinaram para nós. Não sabemos comparar e contrastar...
- O problema da obrigatoriedade do voto é que uma parcela expressiva da população vai às urnas com qualquer número, só para cumprir a obrigação.
- Em qual momento as escolas ensinam as tarefas dos três poderes? É preciso ensinar oração coordenada sindética aditiva e equação do primeiro grau.
- Quantos professores conhecem as tarefas dos três poderes? Como ensinar algo que foi posto de lado? Há ótimos sites para pesquisa, inclusive com IA.
- Para começar uma pesquisa é necessário saber formular uma pergunta. Quem consegue isso? Onde isso é ensinado? Quem consegue ensinar isso?
- Hoje temos uma grande dificuldade para conseguir um diploma universitário: é necessário esperar de dois a quatro anos. É preciso saber esperar...
- Esperar, para a maioria. Se há juízes vendendo sentenças, certamente há alguém em alguma universidade, vendendo diplomas.
- Sai caro. O sistema obriga você a esperar. Não somos mais um estado laico.