Óbvio
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Estou convencido de que estamos vivenciando um processo de embotamento cerebral. De pouco rendimento de raciocínio. De emburrecimento generalizado.
- Você e suas observações sempre cirúrgicas. O que você viu dessa vez?
- Você conhece o supermercado onde faço compras. Há uma entrada frontal e uma lateral. Os carrinhos ficam enfileirados na entrada lateral.
- Como você vai bem cedo, ainda não há carrinhos na parte frontal, deixados por clientes. Você tem mesmo de ir até a entrada lateral.
- Exato. Nesse horário, pouco depois das 7h, só o supermercado funciona. Todas as lojas que ficam no complexo ainda estão fechadas.
- Portanto, quem entra nesse horário, entra para ir ao supermercado.
- Bingo! Eu chego, vejo o portão lateral fechado e uma jovenzinha, menos de 20 anos, postada à frente do portão, me dizer que o portão está fechado.
- O quê? Ela, na frente do portão fechado, diz que o portão está fechado?
- Parece absurdo, mas foi real. Eu sugiro que ela fique na entrada frontal e avise as pessoas que a entrada lateral está fechada.
- O que é o simples e lógico. O óbvio. E o que ela respondeu?
- Ela apenas repete que o portão está fechado. Nem um robô faria isso, já que é possível ver o portão fechado. Não há necessidade do aviso naquela entrada.
- Talvez ela seja esperta e está se divertindo à custa da burrice do chefe dela.
- Dias depois, a cena se repete, exatamente do mesmo modo, com a mesma moça postada à frente do portão fechado, dizendo que o portão está fechado.
- Ou seja, não se aprende mais com os erros passados. Repete-se o erro!
- Sua intuição foi correta. Ela se divertia com a estupidez da indicação da fiscal.
- Ela deve ter dito para a chefe que era melhor ficar na entrada frontal, mas uma chefe não pode ser desautorizada e confirmou sua magreza de raciocínio.