Vetar
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Eu fico incomodado quando vejo autoridades gerindo a vida dos cidadãos por meio de proibições. Parece que raramente encontram uma saída inteligente.
- Nós demos até nome a isso: se não se consegue eliminar os carrapatos de uma vaca, decide-se matar a vaca e o problema é considerado resolvido.
- Faltam alguns passos para sermos uma nação democrática. Por que não há cassinos e jogos oficiais no Brasil? Por que votar é uma obrigação?
- Proibir e obrigar é o melhor que nossos governantes conseguem fazer. Ninguém se ocupa de educar os cidadãos para assumirem responsabilidades.
- A corrente é a vitimização. Não há educação para entender a relação entre causas e consequências. É tão mais fácil dizer “fez-se a vontade de Deus”.
- Uma massa de gente alienada pode ser muito conveniente para governantes.
- Nas escolas ensina-se oração coordenada sindética aditiva, equação do primeiro grau, há décadas. Alguém ensina educação financeira?
- Onde há professores capacitados para isso? Quem se preocupa com a reciclagem e atualização dos professores do ensino fundamental e do médio?
- O povo é tratado como rebanho de ovelhas que alguém guia para onde quer. Pessoas que aprenderam a pensar não se deixam guiar facilmente.
- Esse é o grande inconveniente da educação libertadora, aquela que ensina a pensar, a comparar e a contrastar. Gente que pensa costuma questionar e pedir mudanças. E isso tudo incomoda bastante.
- Massa que não pensa em causas e consequências, nem em ações de comparar e contrastar é o solo ideal para germinar uma república teocrática.
- E as repúblicas teocráticas desprezam os direitos das pessoas, mas gerenciam os merecimentos. Isso não seria perigoso?
- A confusão entre direitos e merecimentos já causou muitos estragos mundo afora. Será que nada aprendemos com as experiências dos outros?
- A onda messiânica via propagar que “a vontade de Deus precisa se cumprir”.