Ignorar
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Como lidar com gente que, de repente, desperta para reclamar sempre das mesmas coisas? Apontam problemas, mas não mencionam soluções.
- É lá no grupo do seu condomínio? Os reclamões estão por toda parte...
- Sim. São poucos os que reclamam e fazem-no pelo canal errado. Não adianta reclamar no grupo; deviam reclamar diretamente ao síndico e ao conselho.
- Provavelmente essa meia dúzia é de gente cuja vida anda desestruturada e precisa de um canal para se aliviar das tensões que deixam acumular.
- E a gente conhece o padrão de funcionamento dessas pessoas: estão sempre prontas a apontar irregularidades dos outros, mas jamais se voluntariam para ajudar, para contribuir. São os reclamões profissionais.
- As reclamações vêm acompanhadas de ofensas pessoais?
- Ainda não chegamos a esse ponto, mas acho que falta pouco para isso.
- O pior é que isso acontece entre vizinhos próximos. Imagine você cruzar com algum deles no estacionamento e não ter ânimo para cumprimentá-los?
- Essas ações só contribuem para que o isolamento cresça nos condomínios.
- E a gente acaba cometendo um erro grave com eles, sabia?
- Qual? A de lhes dar ouvidos? De escutar as reclamações?
- Exato! Os reclamões que nada fazem precisam de público, de pares de ouvidos que os escutem. Se forem ignorados, não há eco e param de reclamar.
- Faz sentido. Se a gente for caixa de ressonância para os reclamões, a convivência torna-se insuportável.
- Para mim, é problema de caráter. É gente ingrata, que não reconhece o esforço dos outros nem faz coisa alguma para melhorar, exceto reclamar.
- Entre os reclamões há os que devem taxa condominial, que não limpam xixi e cocô do cachorro, que desprezam regras, mas reclamam. Vamos ignorá-los!