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Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Acredito que você, como eu, tem acompanhado a propaganda eleitoral, não?
- Se não a propaganda veiculada no horário completo, não se foge das vinhetas intercaladas na programação, exceto se desligar o rádio e a TV.
- Como você, acompanho por obrigação. Ao menos até agora, no início da veiculação, noto que não houve evolução em relação às campanhas anteriores.
- Para mim, essas campanhas têm sido uma foto fidedigna do nível educacional da nossa sociedade.
- Foi exatamente nisso que pensei. Os candidatos a deputado, seja estadual ou federal e os candidatos a senador prometem ações que não lhes cabem.
- Perfeito! Prometem ações como se fossem representantes do poder executivo. Será que eles conhecem as atribuições do poder legislativo?
- Para que as conhecer? A massa não sabe distinguir uma coisa de outra coisa. A massa acredita em promessas espetaculares. A massa quer milagres.
- Exatamente! Quantos por cento da população brasileira sabem que ao poder legislativo compete elaborar leis e fiscalizar o poder executivo?
- E como poderiam saber isso? As escolas ainda ensinam oração coordenada sindética aditiva e inequação do segundo grau.
- Eu me pergunto quantos professores que atuam no ensino fundamental I e II ou no ensino médio ou no superior conhecem as funções dos três poderes.
- Então fica fácil. Sem conhecimento, fica-se sem parâmetros para avaliar se a fala do candidato faz algum sentido, mesmo que soe grandiosa.
- Sem conhecimento, as pessoas se iludem com a embalagem e acabam não dando importância ao conteúdo.
- Pelo teor de uma única fala de um candidato já é possível removê-lo da lista, mesmo que a fala seja espetacular e politicamente correta.
- Um povo que não foi adequadamente treinado para comparar e contrastar informações tende a aceitar tudo o que soa bem, se dito com firmeza e enfeite.