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René Henrique Götz Licht
Escritos de uma vida
Textos

Coloquial 

 

Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.

 

- Você já notou como as redes sociais estão repletas de erros de português? É de dar vergonha para quem valoriza o nosso idioma.

 

- O que me dá vergonha é a justificativa para esses erros: a rede social pede linguagem coloquial, que não precisa obedecer às regras gramaticais.

 

- De fato, a linguagem coloquial tem disso. Eu digo “me indique um bom filme” ou “deixa eu ver se entendi”. O certo é “indique-me...” e “deixe-me...”, mas, por uso e costume, acaba soando estranho e empregamos outras formas.

 

- Eu preciso complementar minha fala anterior. Minha vergonha se dá porque muitos pensam que linguagem coloquial significa que não há mais o errado.

 

- Exatamente. Pensam que “me indica...” ou “deixa eu ver...”, por ser linguagem coloquial, está correto. E não está! Nem na linguagem coloquial...

 

- Outros confundem linguagem informal com coloquial e justificam que, se a mensagem foi compreendida, o uso está autorizado e é correto.

 

- Outros argumentam que “todos falam assim”, que a língua é viva e que o uso pela maioria mostra que o que foi erro, hoje já não é mais.

 

- Essas generalizações são preocupantes e normalmente partem de pessoas sem conhecimento básico da língua. Estamos nos afundando nos erros.

 

- Há muitos homens batendo em mulheres e há muitas crianças sendo violentadas. Logo, como é comportamento comum, deixou de ser crime?

 

- Você já deve ter visto que há muitos professores de português nas redes sociais ensinado conteúdos com erros porque não pesquisam.

 

- Assim como há perfis de médicos criados por inteligência artificial que dão conselhos e fazem prescrições sem fundamento algum. E o cidadão acredita.

 

- Outra abordagem que me incomoda é quando dizem que numa prova de concurso não se pode escrever “me indique” ou “deixa eu ver”. Só na prova?

 

- Portanto, há um tipo de português correto: o exigido em provas de concursos. Fora disso, cada uma escreve como pode e como quer. E nada de corrigir erros, pois tudo é linguagem coloquial. A da liberdade.  É o fim dos tempos?

René Henrique Götz Licht
Enviado por René Henrique Götz Licht em 26/08/2026
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