Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Eu recebi um vídeo em que um alemão que viveu no Brasil apresenta problemas que a Alemanha enfrenta com todos os imigrantes, especialmente os muçulmanos. Há bairros em que se ouve mais turco que alemão.
- Ele deve ser contra esses imigrantes, não? Você tem uma amiga brasileira que mora lá há muitos anos, não?
- Sim, para as duas. Enviei o vídeo para essa amiga, para ouvi-la. Ela também foi uma imigrante. É casada com um alemão e tem filhos alemães, já grandes.
- Isso me interessa. Um outro olhar, uma outra perspectiva.
- Pois é. Ela contou-me sobre a sua experiência. Diz ela que sentiria mais medo de um alemão que de um muçulmano, ao andar à noite numa rua. Ela e o marido costumam participar das festas e quermesses que muçulmanos organizam em locais públicos e apreciam a hospitalidade.
- Mas isso é muito interessante. Vai de encontro ao que pensávamos.
- Exato. Faz anos que ela compra frutas, verduras e legumes em mercearias de muçulmanos. Ela se serve e pode escolher à vontade.
- Em feiras livres alemãs isso é proibido, não? Você aponta e o vendedor pega.
- Sim. Os supermercados estão adotando o padrão trazido pelos imigrantes, mas os produtos dos imigrantes são mais frescos e há maior variedade.
- E sobre a disputa por vagas de empregos?
- Ela comenta que os imigrantes fazem o trabalho que o alemão não quer fazer. E não se importa com pagamento menor. O comércio aprecia os imigrantes.
- Imagino que os imigrantes façam os trabalhos braçais não valorizados.
- O que me surpreendeu é que muitos imigrantes veem com formação acadêmica superior à dos alemães e conseguem posições técnicas melhores.
- Isso também me surpreende. Nem todo imigrante é um refugiado.
- E nem todo muçulmano é um homem-bomba. Mas o problema está lançado.